O NOVO PAPEL DO DOCENTE, E A ANDRAGOGIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR
- Gabriela Gonchoroski

- 25 de jun. de 2021
- 13 min de leitura
Por Gabriela Gonchoroski Gonsalves[1]
RESUMO
O objetivo do presente estudo é fazer uma análise sobre a importância da andragogia para prática docente em cursos de educação superior, levando em consideração os múltiplos perfis de alunos da pós-modernidade; e as implicações que a modificação do perfil de aluno tradicional teve em relação ao papel do docente no processo de aprendizado. Através da compreensão da andragogia enquanto modelo de educação voltada para adultos olocando em evidencia os diversos saberes do sujeito, valoriza o ensino aprendizagem sob a perspectiva de produção de significados dentro do contexto sociocultural no qual o aluno está inserido. Para a realização desse trabalho, utilizou-se a análise de dados sobre a faixa etária dos alunos em instituições de educação superior, uma revisão bibliográfica sobre o processo de aprendizagem com adultos e dos conceitos de andragogia.
Palavras-chave: Andragogia; educação de adultos; ensino superior.
INTRODUÇÃO
De acordo com o Censo da Educação Superior no Brasil, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017 o Brasil possuía 2.448 Instituições de Ensino Superior (IES). Nesse mesmo ano, foi ofertado pelas IES um total de 35.380 cursos de graduação e 63 cursos sequenciais. Totalizando cerca de 8,05 milhões de estudantes matriculados; sendo 6,06 milhões de alunos na rede privada e 1,99 milhões de alunos nas IES da rede pública. Os dados do INEP também demonstram que em 2016 houve uma queda de 2,6% de ingressantes nos cursos presenciais e aumento de 7,2% em cursos a distância; e que na modalidade presencial, 53% dos matriculados está na faixa etária de 19 aos 24 anos e 19% na faixa dos 25 aos 29 anos. Já na modalidade a distância, a maior concentração de matriculados está na faixa etária dos 25 aos 24 anos (57%).
Essas estatísticas são o ponto de partida para compreendermos a mudança no perfil dos alunos matriculados em cursos superiores no país. Se antes a educação era privilégio de uma elite dominante, nesses novos tempos o acesso à educação superior foi massificado; e esses novos alunos constituem os mais diversos perfis. A diversidade cultural presente no Brasil não pode ser ignorada pelos docentes; esse multiculturalismo influenciará na subjetivação dos sujeitos, e nas crenças e valores que esses trazem consigo, consequentemente interferirá no processo de aprendizagem desses sujeitos.
Temos ainda que considerar que o mundo também mudou, e que “nunca antes na história da humanidade, vivenciamos transformações de modo tão veloz” (SACCHI, 2014), e que essas mudanças afetam diretamente a forma com que os sujeitos aprendem. A par dessas considerações, esse estudo tem como foco analisar de que forma a andragogia pode auxiliar a prática docente no ensino superior; nesses novos tempos caracterizados pela globalização, inteligência artificial, automação dos processos de produção (de bens, e de cultura), e pelo domínio do sistema capitalista e liberal.
Consequentemente essas mudanças impactaram também o papel do docente no processo de ensino e aprendizagem. A educação perdeu o viés conteudista, onde o docente desempenha um papel de transmissor da cultura e conhecimento. Nos dias atuais a educação desempenha um novo papel, que está diretamente relacionado ao novo perfil de aluno, que não é mais passivo no processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, podemos afirmar que a concepção de prática docente, para esse estudo, está amparada na ideia pós-estruturalista, que reconhece que a prática docente não se configura pela transmissão de conhecimento e suas prescrições, e sim pela forma pela qual cada indivíduo torna-se sujeito aos saberes e poderes de seu tempo e sua realidade.
O PERFIL DO ALUNO ADULTO E O NOVO PAPEL DOCENTE NA EDUCAÇÃO SUPERIOR
O processo de aprendizagem pode ser conceituado como a forma pela qual os indivíduos adquirem novos conhecimentos; desenvolvem suas competências e também ampliam seus saberes, de forma a mudar seus comportamentos – adquirindo novas formas de agir e saber sobre o meio em que vivem. Os indivíduos aprendem por meios de diferentes aspectos; esses aspectos relacionam-se com a experiência, observação, conceituação e experimentação (DUBRIN, 2003).
Nesse mesmo sentido, o autor De Aquino (2007) discorre sobre as três dimensões preferenciais de aprendizagem: Físico, Cognitivo e Emocional. Sendo que o sentido físico é utilizado em todo o processo de aprendizagem, porém ao longo do processo os indivíduos se identificarão mais com algum dos aspectos do sentido, e essa preferência será dividida em categorias de aprendizagem: visual, tátil-sinestésico, e auditivo. Nesse mesmo âmbito o autor define que a aprendizagem cognitiva está relaciona com o aspecto mental, ou seja, com a forma com que o individuo pensa. Já a aprendizagem emocional relaciona-se com a forma com que os indivíduos se sentem - em aspectos psicológicos e fisiológicos; e em relação aos sentimentos que alteram a capacidade de aprendizado, tais como fome, medo, fadiga, temperatura, luminosidade, distrações e etc.
Identificar o modo de aprendizagem preferencial dos alunos possibilita que o docente adeque a sua metodologia e didática; com um processo de aprendizagem facilitado é possível desenvolver inovação no processo de aprendizado, e a utilização de metodologias ativas, possibilitando que a prática docente esteja alinhada à necessidade dos alunos, e que assim o aprendizado seja efetivo e faça sentido, isto é, que seja um aprendizado significativo.
Tendo em vista os dados apresentados pelo INEP (2017) em relação a faixa etária predominante nas IES, é preciso que compreendemos que o perfil do aluno dessas instituições é aquele definido como adulto, que é considerado como um individuo responsável, ativo, motivado para a realização do aprendizado; perfil esse que se afasta da infantilização culturalmente estereotipada do aluno ao longo dos séculos.
Nesse sentido, é necessário pensar o processo de aprendizagem de adultos de forma diversa do que é o processo de aprendizagem infantil. Assim Knowles (1968), num artigo intitulado “Adult Leadrship”, diferenciou o conceito de andragogia e pedagogia; definindo a pedagogia como “a arte de ensinar as crianças” e a andragogia como “a arte de facilitar a aprendizagem de adultos”.
Oliveira (2010), em apologia aos 14 pontos de Deming (1990), elaborou uma listagem traçando 14 princípios que norteiam o aprendizado de alunos adultos, e que assim expressariam a essência da andragogia.
1. O primeiro princípio dispõe sobre a consciência critica e consciência ingênua das quais os adultos são dotados; e assim afirma que a sua postura proativa ou reativa tem direta relação com o seu tipo de consciência predominante.
2. Já o segundo princípio afirma que o compartilhamento de experiências é fundamental para que os adultos possam reforçar as suas crenças, bem como para que influenciem as atitudes de outras pessoas.
3. O terceiro princípio refere-se a relação educacional entre facilitador (docente) e aprendiz (aluno), afirmando que ambos aprendem entre si, num clima de liberdade e pró-ação.
4. Nesse sentido o quarto princípio alerta para a importância de que haja uma negociação com o adulto, com a finalidade de que se estabeleça o interesse em participar das atividades de aprendizado.
5. O quinto princípio corrobora com a ideia de que o processo educacional de adultos está centralizado na aprendizagem, e não no ensino.
6. O sexto princípio alerta que o adulto é o agente de sua própria aprendizagem e que assim ele deve decidir sobre o que aprender.
7. O sétimo princípio afirma que aprender significa adquirir conhecimento, habilidade e atitude (CHA), e que nessa perspectiva o processo de aprendizagem está amparado na aquisição total desses três elementos.
8. O oitavo princípio estabelece uma ordem para o processo de aprendizagem de adultos: sensibilização (motivação para aprender), pesquisa (estudo do assunto a ser aprendido e sua utilização na vida real), discussão (esclarecimento das dúvidas e trocas de experiências), experimentação (atividade prática para aplicação do conteúdo estudado), conclusão (convergência das convicções sobre o tema estudado), compartilhamento (sedimentação do conteúdo).
9. O nono princípio traz a voga a necessidade de que o aluno adulto tenha em seu ambiente de aprendizagem o estímulo e espaço para que compartilhe sua experiência (história, ideais, opinião, e etc); esse seria um elemento motivador do aprendizado.
10. O décimo princípio dispõe que o relacionamento educacional dos adultos está amparado no diálogo, e que a comunicação só se efetiva por meio dele.
11. O décimo primeiro princípio refere que a práxis educacional dos adultos está baseada na reflexão e ação, e que assim os conteúdos devem ser discutidos e também vivenciados, sob risco de que o aprendizado seja apenas verbalizado.
12. Décimo segundo princípio estabelece uma metáfora: “quem tem a capacidade de ensinar adulto é apenas Deus – que conhece o íntimo da pessoa e suas reais necessidades”; portanto, se você (docente) não é Deus, não se atreva a desempenhar esse papel.
13. O décimo terceiro princípio afirma que o docente de comportamento tradicional (que está no centro do processo de ensino e aprendizagem) prejudica o desenvolvimento do aluno adulto, uma vez que o coloca num plano inferior (de dependência), e assim reforma o comportamento reativo (que é próprio da fase infantilizada).
14. O último princípio dispõe que o docente que exerce a educação tradicional (bancária), cria a perniciosa relação de “opressor e oprimido”, e que assim poderá influenciar, de forma negativa, o modelo cognitivo do sujeito (pela vida inteira).
Vinculado a tais noções, compreendemos a importância da modificação da postura dos docentes em relação ao processo de aprendizagem. Para a educação de adultos, é necessário que os docentes tornem-se facilitadores do processo de aprendizagem, e que ao invés de ‘transmitir’ o conteúdo, direcionem os seus alunos para que esses se responsabilizem, progressivamente, pelas suas próprias aprendizagens. Diante desse cenário o docente deverá desenvolver diversas competências e habilidades pessoais e profissionais que possibilitem otimizar o trabalho coletivo, que o direcione para a colaboração, que o torne empático, lhe possibilite a escuta eficiente dos alunos, e um diálogo humanizado com a IES, seus gestores e alunos; bem como a inteligência emocional para gerir seus sentimentos diante dos mais diversos conflitos, advindos do processo de ensino e aprendizagem.
No entanto, há de se ressaltar que embora a aprendizagem seja subjetiva – o aluno seja o próprio artífice de sua aprendizagem, temos que advertir que o processo ainda está vinculado ao modo como o conteúdo é organizado (currículo) e apresentado pelo docente, dessa forma não se exclui a responsabilidade do docente junto ao processo de aprendizagem; por isso a prática docente deve ser objeto de inovação continua, para que acompanhe as mudanças sociais, tecnológicas, culturais e interpessoais dos alunos. Dessa forma podemos afirmar que o processo de ensino está diretamente relacionado ao processo de aprendizagem, e que a educação acontece quando ambos os processos são concluídos com êxito e observando as necessidades e realidade dos alunos envolvidos.
A IMPORTÂNCIA DA ANGRAGOGIA PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR
No item anterior conseguimos compreender o comportamento do aluno adulto e refletir sobre o novo papel do docente. Paralelamente a isso, a andragogia é apontada como a metodologia adequada para a aprendizagem de adultos. É preciso ainda estabelecer que a andragogia, no modelo estabelecido por Knowles, suscitou um amplo debate sobre a Educação de Adultos (EA) no cenário internacional; esse debate tinha o propósito de restringir o domínio do pensamento pedagógico, que até então era estendido de forma global, trazendo a tona as especificidades da EA.
Segundo Knowles, Holton & Swanson (1998) a andragogia está amparada em seis princípios fundamentais. Sendo o primeiro o propósito, ou seja, a necessidade do aluno de saber “o porquê, como, para quê” o aprendizado servirá. O segundo princípio é a autonomia, isto é, o autoconceito do aluno, adultos tem a necessidade de serem responsáveis pelas próprias decisões, e tendem a ser resistentes à situações onde são impostos a situações alheias às suas vontades. O terceiro princípio é a experiência anterior do aluno e os seus modelos mentais pré-formados sobre como as coisas funcionam (vida, mundo, trabalho e etc.). Já o quarto princípio está relacionado com o ânimo, ou seja, com a vontade de aprendizagem presente no aluno, com a sua prontidão para aprender. O quinto princípio está interligado com a utilidade do aprendizado, o conteúdo será melhor compreendido se estiver centrado no problema e contextualizado. O sexto e último princípio refere-se a motivação para aprender: valor intrínseco e recompensa pessoal.
Todos os princípios que fundamentam a andragogia estão relacionados com aspectos subjetivos ao individuo, e centrados na disposição e motivação para o aprendizado, o que nos remete ao conceito de motivação lançando mão das palavras de Bergamini (2002), que nos coloca que “a verdadeira motivação nasce das necessidades interiores e não de fatores externos. Não há fórmulas que ofereçam soluções fáceis para motivar quem quer que seja”. Ou seja, ninguém tem a capacidade de motivar ninguém. A potencialidade de motivar-se é algo íntimo e subjetivo. A motivação se dá de forma diferente em cada sujeito, e está interligada à personalidade de cada um.
Caberia então ao facilitar de aprendizagem (docente) fazer a analise do perfil do aprendente (ou dos aprendentes), e assim verificar quais seria os pressupostos adequados a cada situação; levando em consideração se os mesmos são pró-ativos ou dependentes, se possuem experiências relacionadas ao conteúdo a ser aprendido ou se não tem nenhum conhecimento prévio onde ancorar tal aprendizado (aprendizagem significativa), se estão aptos a compreender a relevância do tema para a práxis, e assim por diante.
A DIFERENÇA ENTRE O MODELO ANGRAGÓGICO E O PEDAGÓGICO
Para Knowles (1991), o modelo andragógico não é uma ideologia (conjunto sistemático de crenças), e sim um sistema de pressupostos, e que estes seriam uma alternativa ao modelo pedagógico; que baseia-se na mudança do papel do professor tradicional, para um facilitador do processo de aprendizagem. Ainda nessa perspectiva, pode-se destacar algumas diferenças entre o modelo andragógico e o pedagógico; conforme segue:
Quadro 1 – Fonte: The Modern Practice of Adult Educacion (A Prática Moderna da Educação de Adultos), KNOWLES (1980).

O quadro comparativo nos demonstra que no modelo pedagógico o sujeito da aprendizagem tem um perfil direcionado para a dependência e o professor desempenha um papel central, mantendo sob sua responsabilidade a decisão do que é importante e deve ser aprendido. Nesse modelo a experiência valorizada e utilizada como base é, prioritariamente, a do professor. Dificilmente as experiências dos alunos seja considerada dentro do processo de aprendizagem. É possível ainda afirmar que o processo de aprendizagem é organizado por ciclos padronizados, e a educação se estrutura através de currículos uniformes, composto pelos assuntos que foram ‘socialmente’ definidos como importantes o suficientes para serem ensinados.
Em outra direção, o modelo andragógico possui como sujeito do aprendizados pessoas adultas, cujo os perfis psicológicos são diversos, mas que de forma geral são independentes e orientados manter-se motivados a aprender aspectos que possam contribuir para a sua vida (profissão, vida pessoal e etc); a andragogia tem a missão de valorizar a experiência dos educandos, e a favorecer que o conteúdo seja gerador de novas experiências (prática, experiências em laboratórios, oficinas e etc) para esses sujeitos, de forma a priorizar em seus conteúdos e currículos aspectos que possibilitem o desenvolvimento das competências e habilidades necessárias aos educandos, para que esses possam tornar-se profissionais competentes.
Nesse sentido, a andragogia está amparada na concepção de que o processo de aprendizagem deverá propiciar aos alunos adultos da educação superior a competência – que é compreendida por muitos autores e teóricos como “um conjunto de conhecimentos, habilidades, e atitudes necessárias para que o sujeito desenvolva suas atribuições e responsabilidades” – necessárias para suas atividades profissionais.
É preciso compreender que, segundo a lógica do aprendizado por competências, o sujeito competente recebeu uma educação diferenciada da educação bancária, e que esse sujeito não é um mero recebedor de conteúdo (estoquista de conhecimento, certificados, títulos e diplomas), mas sim um indivíduo que tem a capacidade real de aplicar na prática (práxis) os conceitos, conteúdos e aprendizados realizados, tendo assim a capacidade e competência de superar os desafios que surgem no mundo profissional (NUNES, 2010).
Nessa mesma direção podemos verificar que no modelo pedagógico o aluno tem a necessidade de saber aquilo que o professor ensina, o processo de ensino e aprendizagem é demarcado pela estereótipo do aluno dependente e na centralidade do professor, e o processo de aprendizagem é extrínseco ao sujeito ou seja norteado pelos desejos e pressões sociais (sociedade, comunidade escolar, família e etc); e os sujeitos estão entrelaçados na ‘aquisição’ de um conhecimento conteudista.
Em direção oposta, o modelo andragógico está amparado na lógica de que os educandos estarão dispostos a aprender aquilo que lhes fizer sentido, e que são capazes de se autogerir, e que estarão dispostos a iniciar o processo de aprendizagem quando conseguirem identificar a utilidade dos conteúdos do currículo, e que a motivação de aprendizagem também é em parte extrínseca aos sujeitos, mas nesse modelo é norteada por aspectos pessoais como promoção, melhora no salário. Contudo, em maior parte, a motivação se dá de forma intrínseca, ou seja, é norteada pelo desejo de auto realização, qualidade de vida, autoestima, satisfação pessoal, e etc. Para que possamos ter uma visão mais clara sobre tais diferenças, apresentamos abaixo mais um quadro comparativo entre os dois modelos:

Diante disso, podemos percebe-se que a andragogia surge como um modelo alternativo, e até contraditório ao modelo pedagógico; que busca uma forma eficiente de ensinar os adultos; que possuem perfis completamente diversos ao perfil infantilizado dos alunos “não adultos”; nesse sentido Osorio (2003, p. 93), refere que:
a andragogia é, portanto, a arte e a ciência de ajudar os adultos a aprender, por oposição à pedagogia como arte e ciência de ensinar às crianças. A andragogia baseia-se noutros pressupostos de aprendizagem e de ação com os adultos. Portanto, é necessário um salto qualitativo no momento de estudar, compreender e praticar a educação de adultos.
É a partir desse enfoque que estacamos a importância da andragogia para o processo educacional de adultos, principalmente nas IES, cujo propósito é a formação de profissionais aptos e competentes para assumir uma posição junto as mais diversas organizações; ainda mais nesse novo cenário que tem como pressuposto a Quarta Revolução Industrial, que acentua a competitividade dos profissionais; na busca pelas reduzidas vagas desse processo de informatização das coisas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao analisarmos as mudanças sociais, que refletiram no contexto escolar, principalmente no perfil dos aprendentes, verificamos que a pedagogia, enquanto arte de ensinar crianças, não é suficiente para a prática docente em instituições de ensino superior.
Soma-se a esse contexto as características próprias dos adultos, que por natureza são mais independentes em seu processo de aprendizagem. Essa independência também é uma das missões dos professores, que devem criar um ambiente que proporcione e estimule o desenvolvimento desse padrão comportamental nos alunos jovens e adultos.
Dessa forma concluímos que a andragogia apresenta-se como uma ferramenta fundamental para nortear a prática docente nas IES. Uma vez que centra o processo de aprendizagem em aspectos que dialoguem com os interesses e motivação dos alunos; e organiza os conteúdos do currículo de maneira a fazer sentido com as vivências dos sujeitos; valorizando as experiências e vivências dos mesmos; propiciando a independência dos mesmos durante o processo de aprendizagem; e acima de tudo respeitando as diferenças culturais, sociais, de tempo, lugar e ritmo de aprendizagem.
Então é possível afirmar que através dos princípios andragógicos torna-se possível estabelecer uma conexão entre o conteúdo e as vivencias sociais dos educandos, facilitando assim o processo de aprendizagem; e tornando-o significativo.
REFERÊNCIAS
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CANÁRIO, R. Educação de Adultos: um campo e uma problemática. Lisboa: Educa, 1999. pp. 132, 133.
DEAQUINO, T. C. E., Como Aprender: Andragogia e as habilidades de aprendizagem. São Paulo, Pearson Prentice Hall, 2007.
Educ. Pesqui., São Paulo, v. 44, e173244, 2018. Revisitando Knowles e Freire: Andragogia versus pedagogia, ou O dialógico como essência da mediação sociopedagógica.
FOMAÇÃO EM AÇÃO. Anexo 2. Andragogia: ressignificando a educação de adultos. Governo do Estado do Paraná.
INSTITUTO DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo da Educação Superior. Acesso em 29/07/2019 <http://portal.inep.gov.br/web/guest/microdados>
LEON, Antoine. Psicopedagogia dos adultos. São Paulo: Edusp, 1977.
NUNES, S. C. O discurso e a prática da formação baseada em competências: um estudo em cursos de graduação em administração. Administração: ensino e pesquisa. Rio de Janeiro. v. 11, n. 3, p. 395-424, jul/set. 2010.
OLIVEIRA, A. B. de. Andragogia: a educação de adultos. Disponível em: < http://www.serprofessoruniversitario.pro. br/ler.php?modulo=1&texto=13 >. Acesso em: 05 ago. 2010.
OSORIO, A. Educação Permanente e Educação de Adultos. Lisboa: Horizontes Pedagógicos, 2003.
Rev. FAE, Curitiba, v.15, n.1, p.200-214, jan./jun. 2012. Forma preferencial de aprendizagem: estudo de caso em uma Instituição de Ensino Superior da Serra Gaúcha.
Gabriela Gonchoroski Gonsalves[1]
[1] Especialista em Estudos Culturais / FAQI / Porto Alegre / RS / Brasil / gabrielagonchoroski@gmail.com



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